segunda-feira, 1 de julho de 2013

O amor de Arthur


Coração latente,
Ardente de terror,
Com a guerra iminente,
Do passivo ardor.

Entre as veias transcende,
O sentido horror,
Claro e imponente,
Aliviando a dor,

Cavaleiro incessante,
Combatente ao terror,
Do medo fluente.

Coragem em furor,
Medo confrontante,
No guerreio seletor.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O azul dos meus sonhos...

O azul que me conquistou...

Eu ficava buscando qualquer maneira,
Mas não uma maneira qualquer,
Dessas que vemos em qualquer lugar,
Pois não queria descrever coisa qualquer.

Queria a forma perfeita,
Mas não da perfeita forma,
Simplesmente a perfeita melhor forma,
De expressar à forma perfeita da cor.

A cor incrível radiante,
No céu presente, cor,
No mar a cor refletida...

Ah! Tantos formatos... todos para o azul,
Azul em todos os lugares e maneiras,
Mas em todos, nenhum azul como o do teu olhar.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Fênix

É verdadeiramente uma Fênix,
Mas não destas mitológicas, que morrem em fogo e ressurgem das cinzas.
A verdadeira é um pássaro vermelho de asas longas e belas penas,
Que a faz voar milhas e mais milhas antes de pousar.

Cansada, muitas vezes, ela pousa e adormece,
E assim fica pelo tempo que for necessário,
Décadas, anos, ou, simplesmente, horas,
Mas nada que um relógio humano possa descrever.

Quando preparada, alça mais um de seus belos voos,
Com destino traçado ou não, isso não importa,
Porque aonde irá, são suas asas que a levarão

Não, meu amigo, essa Fênix não morre, mas arde em chamas,
Mas ela cansa e para, porque essa fênix, companheiro,
É a verdadeira alma de um poeta.

Rei Sonâmbulo
03/02/2013 - 01:05

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Canção do Preciso

"Minha terra tem pessoas, Aos quais não tenho cá;
As pessoas que aqui tenho, São diferentes das de lá.
Nossas ruas não têm pedras, Nossas ruas têm asfalto,
Nossos carros têm mais vida, Nossos mecânicos mais rancores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontrava eu lá;
Mas minha terra não tem empresas,
As quais encontro cá.

Minha terra tem primores, mas gente morre de fome lá;
Em comer — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu cá;
Que na minha terra, Onde trabalho não há.

Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá, para visitar;
Sem que desfrute os primores E logo volte para cá;
Minha nova terra, Onde trabalho há." Alex Pinto

quarta-feira, 14 de março de 2012

Vendo minha saudade e minha poesia.

Ah, que saudade!
Saudade da boa poesia, da boa arte.
Saudade da obra prima do escrever,
Ah, que saudade!

Ah, que saudade eu sinto!
Dos amores de Vinicius,
e da pedra do Drummond.
Só me restou a saudade.

Quanta saudade da poesia feita pela arte,
Da poesia não burguesa, que não procura por vintém.
Ah, como eu sofro de saudade!

A poesia só fala o que dela é quisto,
E o ideal escorre como sangue derramado,
Enquanto da boa arte, só restou saudade.

Alex Barcellos Pinto

sexta-feira, 2 de março de 2012

Aprendi a por um sorriso falso no rosto e torná-lo infinitamente real.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Uma crônica pelo “bicho humano”.

Saindo do trabalho hoje, passei na Moderna para tomar um café e fiquei olhando as notícias na Ana Maria Braga. O que vi me fez perder completamente a fome. No período de 3 minutos, assisti a duas notícias de espancamento e morte de pessoas em diferentes lugares e a uma de maus tratos a uma cachorrinha que foi queimada por algum produto químico. Pois é, além das notícias trágicas, o que mais me fez pensar foi o fato de que as duas primeiras, que se tratavam dos humanos mortos e espancados, tiveram 30 segundos de duração cada, enquanto que a da cachorrinha teve duração de 2 minutos, com direito a discurso da Ana Maria após a matéria. A escolha da prioridade de tempo se deve a quê? Inversão completa de valores ou simplesmente sensacionalismo em busca de audiência? Independe. O que acontece é que de nada adianta idolatrar os animais e descrever ou aceitar o ser humano como espécie predatória e malévola. De que adianta "ajudar" espécies mais fracas e repudiar a sua própria? Que mudança é possível obter desse fato? Salvar um cachorrinho, um gatinho ou qualquer animal é um ato lindo (porém não creio que seja digno de louvor, pois vejo como um ato de humanidade), mas não te faz melhor ou pior do o teu próximo que, mesmo maltratando animais, é tão humano quanto você, que não pensa duas vezes antes de esmagar um mosquito com um bater de palmas. Todo o ser humano é levado naturalmente ao erro. Somos a única espécie agraciada com racionalidade e inteligência. No momento em que nos comportamos como a nossa, dita, origem, os outros, que cometem os mesmos erros em proporções diferentes, se levantam para julgar e apontar o dedo. Não defendo aqui os maus tratos com os animais, jamais seria capaz disso, mas defendo aqui a inconstitucionalidade do julgamento humano: “Ah! Mas eu nunca bati em nenhum cachorro ou animal qualquer”. Tem certeza? Nunca matou uma rã ou uma lagartixa simplesmente porque elas entraram no mesmo ambiente que você? Se sim, você não é nada melhor do que aquele cara que atirou o produto químico na cachorrinha. Assista a seus erros de camarote e veja como é possível corrigi-los completamente. Os mosquitos agradecem se você usar um repelente em vez de um inseticida. A vida humana é frágil, perigosa e simples. Frágil porque somos movidos por sentimentos e emoções, o que a deixa, também, perigosa; simples porque suas respostas estão nos seus problemas. Mudar uma vida é muito melhor que condená-la. “Essas pessoas que maltratam os bichos tem que ir para a cadeia”! Não seria melhor colocá-las para trabalhar nas instituições de proteção aos animais como penitência, nas quais poderão aprender a respeitar as outras formas de vida e ter a oportunidade de serem tocadas pelo afeto do animal que feriram? Essa seria a provável melhor solução, mas, primeiro, seria necessário ensinar aos trabalhadores destas entidades a amar o seu igual, indiferentemente do erro que ele tenha cometido. Seria possível amar parcialmente? Amar o ser mais fraco, mas detestar o seu igual? É difícil de acreditar que isso seja possível. O humano que salva um cão é louvado, mas o ser humano que salva um ser humano salva outros inúmeros animais e humanos, gerando o verdadeiro “efeito dominó” da boa existência.

Alex Barcellos Pinto

domingo, 8 de janeiro de 2012

"Melancolia é como uma droga que te prende e te faz dependente de memórias passadas. Ela traz consigo uma falsa releitura dos sentimentos vividos no passado, ressentimentos. Sinto muito, a cada dia que passa lembro menos do passado e sonho mais com o futuro. No momento em que me dou conta de todo o futuro que há por vir, simplesmente percebo que não tenho tempo para perder e que por isso não posso permitir ressentir meu passado, enquanto há tamanhas grandiosidades para serem vividas. Meu passado não me fez como sou, mas sim eu o fiz ser como foi. Desisto, logo, de uma vida de lembranças por uma vida de constante futuro." - Rei Sonâmbulo

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

The King

Eu sempre fui uma pessoa daquelas que se diz “normal”. Nunca fiz coisas que não se deveria por querer, sempre que fiz foi sempre por falhas banais que a vida me colocava no caminho. Cresci de uma maneira um tanto incomum, sempre com pensamentos muito afrente da minha idade, vivendo acima da média dos meus colegas, com planos e replanos com terceiras e quartas maneiras pré-preparadas para realizá-los. Na minha infância e grande parte da adolescência isso nunca fez grande diferença, afinal era muito mais fácil deixar para depois e ir assistir TV. Tive pais normais de classe média alta, uma infância de rotina na pequena cidade onde nasci e cresci. De todos os sonhos que tive um deles me veio muito cedo, o de ser professor. Tive uma professora que marcava ao começar suas aulas da disciplina de Inglês e graças a ela descobri o prazer que poderia ser dar uma boa aula, bastou uma aula, aos doze anos de idade, para descobrir que seria, de fato, aquela, minha profissão.
Anos de estudo após meu primeiro contato com esta segunda língua, que veio a ser umas das minhas paixões, realizei aquele pensamento dos doze anos, e me tornei um professor. Não demorou muito para começar a ser bem quisto por alunos e colegas de profissão, afinal eu havia apendido com uma pessoa de carisma e dedicação, profissional e amigável. Estava agora em uma cidade um pouco maior que aquela na qual cresci e acabei tendo um sucesso muito maior do que jamais havia imaginado dentro da minha profissão, apesar de nem mesmo ter a formação devida (ou pelo menos esperada) para o cargo. Uma vida aparentemente de muito sucesso e alegria, apesar da solidão que qualquer um passa ao morar sozinho apesar de seus amigos, os quais nunca me faltaram.
Minha vida caminhava apenas para o topo, calma e tranquila sempre regada a esforço, estudo e trabalho. Mas minha rotina começou a ser rompida numa segunda-feira chuvosa e fria de julho quando cheguei à escola que trabalho e fui bombardeado por uma notícia trágica, minha colega de profissão e área havia sido brutalmente assassinada na tarde anterior. Luto de quatro dias foi a máxima homenagem feita a minha colega, era incrível e aterrorizante lembrar que ela não estaria mais ali cuidando das suas crianças ou preparando suas técnicas lúdicas para seus alunos. Nada fazia passar o ar fúnebre que se instalou na escola naquele dia.
Assumi, a partir dos quatro dias de luto, as aulas dela. Trabalhar com crianças passou a ser, talvez, o maior desafio da minha vida, pois me faltava paciência e prática. Entretanto, coisas estranhas não paravam de acontecer ao redor da vida escolar da região, na semana que fora decretado luto outro professor da mesma área fora assassinado de forma ainda mais brutal que a minha colega da semana anterior. Já na segunda semana após o fato fomos visitados por um inspetor da polícia civil que estava encarregado do caso para interrogar a todos que tinham a mínima ligação com a professora morta. Passei tranquilamente pelo interrogatório, disseram-me apenas que não havia suspeitos para o crime ou razão óbvia para o determinado assassinato, mas já se especulava um provável serial killer, como dos filmes de Hannibal ou do famoso Jack the ripper. Sabia-se que este era excêntrico, e, aparentemente, gostava das histórias clássicas de seriais killers, pois, como de costume, havia criado uma marca, após matar colocava uma determinada peça de xadrez encravada na testa de sua vitima, o rei. Foi o máximo que consegui extrair do meu interrogador, afinal, comecei a ficar um pouco preocupado, dois professores de Inglês assassinados por um maníaco, era no mínimo preocupante, pois eu era um professor de inglês.
Aquela semana após o interrogatório passou quase dentro da normalidade rotineira, embora meu trabalho duplo de preparação de aulas para crianças e as notícias perturbadoras sobre os casos sem resolução e o apelido dado ao assassino “The King”. Este era o único fato sobre o assassino que a polícia havia liberado, outros detalhes eram boatos ou não confirmados oficialmente. Repórteres estavam constantemente nas portas das escolas entrevistando a todos, principalmente nós professores. Confesso que aquilo pareceu interessante no início, afinal propaganda grátis para minhas aulas particulares logo quando estava precisando de uma grana extra. Lógico que me sentia mau por aqueles fatos terríveis, mas aparentemente havia outros professores que estavam gostando ainda mais daquele circo montado pela imprensa, um deles inclusive falou ao jornal da cidade “Este assassino é um doente mental que acredita estar numa história de terror ou algo assim, espero que ele não cruze meu caminho porque “The king” vai virar “The Zumbi”, quando li não evitei o riso, afinal um magricela como aquele com certeza só estava querendo ganhar mais alunos mas, senti um arrepio na espinha e uma voz que parecia sair da minha cabeça disse “ele não devia ter falado isso, é o próximo!”.
Uma semana depois e as notícias esfriaram, agora as coisas pareciam mais calma, sem repórteres ou policiais nas portas das escolas. Foi desta maneira até o final de semana. No sábado, passei a noite inteira acordado sem conseguir dormir apesar de estar exausto após uma semana de aulas dobradas, quando era cinco da manhã resolvi sair de casa para caminhar por ai, já que o sono não vinha mesmo, poderia fumar um cigarro e caminhar na madrugada como costumava fazer na minha adolescência e provar um pouco mais dessa melancolia. Caminhei até a praça central fumando aquele último cigarro amassado da carteira quando algo pingou na minha cabeça, imediatamente olhei para cima para tentar ver se era chuva, mas não era. A cena era simplesmente bizarra, não encontro palavra mais adequada para descrever um homem magro de média estatura pendurado pelo pescoço por sua encharpe em um poste de luz com peças de xadrez no local dos olhos vestido com um terno esfarrapado e uma placa em seu pescoço escrito “The Zumbi King”.
Aquele foi com certeza o dia mais longo da minha vida. Passar das 7 da manhã até às 10 da noite dando mil depoimentos e retratos falados de alguém que eu, supostamente, deveria ter visto entre milhares de pergunta que me colocavam como provável suspeito do que estava sendo chamada maior história criminal nunca antes vista na cidade. Após todo o processo concluído finalmente fui liberado, sinceramente não entendi a frase final do inspetor sobre ficar de olho em mim, entretanto não liguei, não tinha nada a temer. Então voltei para casa já que tinha que trabalhar no outro dia, pois havia perdido todo o domingo dentro de uma delegacia fétida e desconfortável.
Segunda-feira e eu tentava retomar a rotina, mas era quase impossível retirar aquela cena bizarra da minha cabeça, um homem pendurado com os olhos dilacerados, e confesso, o medo começou a ficar cada vez mais forte. Eu parecia não ser o único a estar com medo, logo chegando à escola escutei boatos de que a coordenadora do curso de inglês da universidade local havia tirado uma licença médica e ido para o exterior tratar de sua misteriosa doença, já a dona de uma escola de idiomas local havia feito a mesma coisa imediatamente após o acontecido com o professor, todos os professores de inglês poderiam ser a próxima vitima, este era o único quesito adotado pelo assassino.
A cada dia que passava a apreensão aumentava. Não havia nem pista do tal matador nem mesmo de quem haveria de ser sua próxima vitima ou se ao menos haveria mais alguém. Eu estava muito receoso e ao mesmo tempo me sentia mais seguro do que nunca, beneficio que foi dado pela minha condição de suspeito, os agentes da P.C me seguiam a todos os lugares em todos os horários, era estranho, mas naquelas condições eu estava muito contente por ter “seguranças particulares” de graça. Chegando da escola na segunda sexta-feira após aquele crime quase fui atropelados pelos agentes que me seguiam, era por volta das 10 da manhã e eles então ligaram a sirene e quase iam levando tudo o que havia pela frente com a velocidade que estavam, não tive duvidas, outro havia padecido.
A brutalidade com a qual ele cometia seus crimes parecia não ter fim. A vitima desta vez era a professora de inglês de uma das escolas mais tradicionais da cidade, esta tinha algumas peculiaridades que a fazia famosa em toda a cidade. Ela era considerada uma das melhores sem questionamentos e quem não a conhecia por sua maestria com a língua a conhecia pela sua infindável beleza. Encontrada na banheira de sua casa, nua, enforcada com o cabo de força do secador de cabelos, inexplicavelmente teve sua cabeça raspada com precisão e no seu couro cabeludo entalhado como se fosse na madeira estava o símbolo do maníaco, o rei.
Confesso que só em pensar a maestria dos meus planos até aquele momento me enchiam de orgulho. Meu prazer ao ver a arquitetura brilhante que eu havia montado para cada um deles era quase tão grande quanto o próprio momento de suas mortes, os detalhes, a prática, a maneira como enganei os agentes que me seguiam debaixo de seus narizes, realmente a última, deu-me um prazer extra por este adendo. Por quê? Esta é uma resposta difícil de ser respondida, simplesmente cansei da mesmice e resolvi testar minha mente até onde ela poderia chegar em criatividade e brilhantismo. Mas agora tudo estava acabando, pensei em brincar com os outros professores da cidade, mas os dois únicos que sobraram merecedores de serem participantes do meu jogo haviam fugido, o que faria então? Precisava de mais um, e um que fosse bom o suficiente para enfrentar “The king” uma ultima vez, um gran finale digno de uma obra prima como a minha. Entretanto, só havia mais um, mas seria muito difícil orquestrar meu brilhantismo naquele extremo.
Um jogo de xadrez só acaba quando um dos jogadores captura o rei de seu adversário. Que outro além de mim seria um rei digno o suficiente para receber esta honra. Com o plano bolado e o alvo decidido, minha obra prima estava finalmente completa. Horas de agonia e prazer sufocante ao cumprir a espetacular cena final do meu espetáculo. Uma cruz no alto de uma catedral, e que rei capturar além do único conhecido e que de fato merecia este sublime título se não eu mesmo. Fui encontrado na manhã seguinte crucificado no alto da igreja mais alta da cidade com a marca do rei feita a fogo em meu peito. Meus feitos morreram, assim como eu. Marquei meu tempo e lacrei-me na história, meus registros ficaram em um lugar inalcançável que se abre com a chave, “The queen”.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Passou

‎Meu coração agora sente o peso sobre ele
O peso esmagador da sorte bárbara, inclemente,
A qual nada se pode opor.

Sonhos que tive antigamente, sonhos azuis onde estais?
O amor passou rapidamente e restou a saudade, nada mais.

Tudo passou rapidamente, louca talvez, louca de dor,
lágrimas a ver atualmente sobre as ruinas desse amor.
Tudo passou e o presente de tantos gozos sem iguais,
resta a lembrança unicamente, resta a lembrança, nada mais."

Rei Sonâmbulo

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Metáforas

Do lançar da semente,
o mover das mãos,
a terra faz sua parte
sendo o útero projenitor.

Fluindo pelo ar, as ondas,
quebram ao chegar na praia,
trazendo a mensagem da batida
do coração do oceano.

Ao ouvir as ondas,
as metáforas se transformam,
desmistificando o ardor do poeta.

As sementes, as ondas, mensageiros
do útero que brota e das quebradas do mar,
naquele infinito coração oceânico.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quão maravilhoso és, textura cortante, branco como seda,
Áspero, ensebado ao perfume humano, aspirado.
Teus moveres lentos, momentos de prazer insaciado,
Sorrir nos lábios, que incomparável nos encanta.

Fala tanto, e sempre, sempre, inunda calada.
Morrendo lentamente, agonizante no saber profundo,
Conhecimento aflorado, por todos e por tudo,
Inigualável vida por todos esquecida.

Vida curta, terror de muitos, e sempre dando vida,
realidade totalmente apagada quando acabado,
minutos de sanidade e ela se estingue no passar pano.

Pó bendito que odeiam os que não por ti passa,
Que nosso viver, professor, não é resumido,
Entre o quadro e o apagador, que o giz, apaga.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

MEU diário, MEU poema!

É chegada a hora,
cansei de pensar,
farei isso agora
não vou mais cansar!

Simples! Basta por hora,
o que fiz do meu acordar
ateh o momento da aurora.
Fácil você vai gostar!

Meus sentimentos você adora!
Enquanto lê, irá pensar,
"Óh! Meus sentimentos ele aflora!"

Enquanto eu rio até chorar,
de saber o que viveu outrora.
Ai, AI! Cansei de tanto falar!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O vento

Bate a janela.
O olhar desatento,
cuida agora o vento
espalhar as folhas
num suave movimento.

Em ondulações perfeitas,
ritimadas, sincrônicas,
Demasiado perfeccionismo.
Movimentos desencontrados
com os sentimentos aflorados
pelo balanço suave
das folhas da pequena árvore.

Segundos de ternura,
um piscar de olhos
e todas elas, todas, se vão,
mexendo em um coração,
esperançoso pelo vento.

domingo, 31 de maio de 2009

rosa canta,
molhada de orvalho
uma triste sonata,
amaldiçoada pela cor.

É uma rosa solitaria,
única no jardim,
uma flor outrora calada,
pelo perfume do jasmim.

Agora murcha, infeliz
cansada de cantar,
os lamentos da luz solar.

A noite poe-se a deitar,
embriagada pelo sal
e pelo perfume do jasmim.

Alex Barcellos Pinto

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Da Rosa

Olha aquela rosa ali caída na calçada;
Bela e ainda perfumada;
Jogada nas cinzas da cidade;
Morta antes mesmo de murchar.

A cada pisada uma pétala arrancada;
- Parem por favor!
Mas já era tarde demais;
Para o perfume, e mesmo para a cor.

Só restou o talo quebrado;
Para conservar a lembrança;
Da bela flor que se fora.

O talo, eu conservo perto ao peito;
Pois a rosa já não existe;
Mas a dor que sentiu,eu ainda sinto.

terça-feira, 21 de abril de 2009

A felicidade tem lugar?

sábado, 21 de março de 2009

Poema

Sinto aroma de poesia, café, cigarro e outono...

sexta-feira, 6 de março de 2009

O escritor I & II

Seu nome fora dado pelas freiras pelo qual fora criado. Foi mais um órfão dentre inúmeros outros. Ele era realmente sortudo desde o dia do seu nascimento, pois fora mandado para o menor orfanato da cidade. Um lugar pequeno, numa casa tombada como histórica pela cidade, com a pintura velha e descascada, pois a verba das freiras mal dava pra o sustento dos doze órfãos que cuidavam. Não foram anos muito fáceis todos os dezoito que passara naquele simples lugar, foram anos de dificuldade e privações. Passava grande parte do tempo cuidando da pequena horta de temperos que a madre cultivava.
As freiras lhe tinham muito carinho, talvez pelo fato de crerem que era doente, pelo simples fato de ler todo o tempo em que não estava na horta ou nos horários de reza obrigatórios pelas irmãs. Ao sair do orfanato fora mandado direto procurar um dos poucos beneficiários que ainda cuidava do velho lugar. Este lhe dera um emprego, “nada muito grande”, em suas próprias palavras. Um simples cargo de “office boy”.
Seguiu caminho na empresa. Graças a um curso que fizera durante as férias de verão e pelo ótimo desempenho que tinha nas simples tarefas, fora promovido. Atuava agora sendo o auxiliar do contabilista. “Dentre os cargos inferiores o melhor”, era o pensamento que lhe trazia felicidade, por notar que conseguira crescer mesmo que fosse o mínimo!
Saído de mais um dia cansativo no novo cargo, caminhava assobiando um triste tango pelas ruas, e num momento puramente espontâneo coloca a mão no bolso, da calça jeans surrada de tanto uso, e encontra um papel até então esquecido. Coisas básicas e simples do dia a dia na sua singela lista de compras, arroz, feijão, e a única coisa que lhe trazia a urgência na compra, o sabonete! Enquanto caminhava em direção ao mercado, retira de sua mochila a carteira de couro velha e surrada que ganhara de seu chefe há três natais atrás. Dentro encontra sempre a foto de seu único relacionamento amoroso, uma secretaria loira da firma, os documentos e o mais importante para ele, a nota de dez reais.
Já se fazia tarde quando chegou ao mercado, o crepúsculo estava se fazendo vagarosamente presente. Pegou uma das cestinhas amarelas, que sempre lhe davam vontade de rir, ao imaginar que quem as criou, criou pensando nele. Andou pelos corredores do mercado, comprou o arroz, o feijão, algumas balas e claro o sabonete.
As ruas estavam agora escuras e a lua já se fazia presente, a fila no mercado hoje estava maior que a de costume. Seguiu seu caminho de sempre até a casa da velha senhora do qual alugava um quarto e fazia companhia. Sempre que olhava a fachada da casa sempre se lembrava do orfanato e isso lhe trazia uma gostosa nostalgia. A casa cheirava a mofo e umidade, sempre que entrava a velha senhora de cabelos cor de neve vinha em sua direção rindo, lhe oferecia a janta e perguntava como fora seu dia. Neste dia não foi diferente além do fato de que pegou as compras para guardar.
Ele notou algo estranho no ar, hoje embora tendo feito as mesmas coisas rotineiras, a senhora não aparentava a feição que sempre carregava, hoje estava triste, e os velhos olhos lacrimejavam. Tentou saber o motivo de tal tristeza sem o muito sucesso. Então deixou a pequena sala, seus dois sofás e sua mesa, foi tomar o banho com o sabonete que comprara. Serviu-se de arroz, feijão e batatas e foi para o quarto, deitar seu corpo cansado e terminar de ler o livro que ganhara da "velha".
O dia começou mais quieto que os outros, na manha posterior, não sentiu o aroma do café fresco e nem das torradas que ela preparava para lhe esperar. Naquela noite ela dormiu e não mais acordou. Ele bateu algumas vezes na porta do quarto dela, sem reposta, quando finalmente decidiu entrar. Viu seu corpo branco e enrugado deitado na cama, sem o sinal do ar entrando em seus pulmões.
Tomara conta de todos os encargos fúnebres com prazer e dedicação, pois a “velha” tinha sido a avó que ele não teve. Tentou avisar os parentes do falecimento, mas o máximo que recebeu de retorno foi um “já foi tarde” como resposta! Surpresa grande teve quando descobriu que ela havia deixado em testamento tudo o que tinha à ele. Era realmente pouca coisa, a casa velha, os moveis, e alguns livros velhos e encardidos.
As semanas se arrastavam, agora ele estava como nunca estivera, sozinho. Já fazia um mês da morte dela quando resolveu olhar os livros que ela lhe deixara. “Diários” - lia boquiaberto. Os livros que ela lhe deixara eram de sua própria autoria e mais, eram os seus diários, inúmeros de quase todos os anos que ela vivera. Levou alguns meses até conseguir ler todos, eram incríveis as memórias de uma velha que morrera solitária. Sua vida continuava em sua mesmice mórbida. Nada mudara desde a morte de sua avó, assim considerada.
Passou um ano, selecionando as memórias da velha senhora. Tivera a grande idéia de tentar laçá-los como livro. Buscou dentro todos os livros as memórias que julgou mais “incríveis”. Seu chefe era um homem influente, e agora era a vez dele de ajudar o rapaz a crescer. Apresentou-lhe o editor chefe de uma revista e logo lhe conseguira a editora.
Nos dois meses após o lançamento sua vida virara de cabeça para baixo, estava vendo uma quantidade de dinheiro que jamais vira e ainda, conhecera celebridades que via pela televisão e que jamais pensou em conhecer. Em quatro meses estava riquíssimo como jamais imaginara e estava com um contrato assinado para mais dois livros com a editora que lhe dera a grande chance.
Agora não era mais um “Zé ninguém”, era um homem famoso e conhecido por todos, pois seu livro era o maior Best seller dos últimos dez anos. Ele tinha seu nome estampado em todas as revistas que conhecia e mesmo que nunca ouvira falar, era finalmente alguém. O mais famoso autor do momento, Diego Rosa Munhoz o grande autor da magnífica obra “As memórias de Rosane Valentine – Uma prostituta na década de quarenta”.
Os dez meses passados foram cansativos, tinha muito que pensar e o que criar. Como se não bastasse o curto prazo de um ano para a entrega do primeiro livro previsto no contrato, se deparara com vários contratempos. O mais importante com certeza era o processo que enfrentara nos primeiros meses do lançamento de seu “Best seller”. Usar o nome da mãe de um estimado vereador e “difamá-lo”, como alegado, lhe trouxera problemas catastróficos. Não entendia como não pensou em uma coisa simples como, mudar o nome da “velha”. Expusera aquela família tradicional ao ridículo, desfez as ilusões criadas pelo pai aos filhos, a fim de, esconder a triste verdade. A família Valentine vivera um inferno, não mais sabiam o que era paz, e Diego sentira na pele os incômodos e desagrados de ser seguido vinte e quatro horas, por repórteres que procuravam respostas para perguntas claras do gênero, “um infeliz engano ou uma verdade escondida?”. Diego precisou pagar os melhores advogados e comprar vários promotores e mesmo assim não conseguira se desvincular do problema. Logo o vereador cedeu, o processo seria retirado em troca de um simples apoio político que precisaria, pois tinha intenções de se candidatar para prefeito. O inferno se desfizera com uma breve declaração publica do senhor vereador.
Finalmente estava livre do maior de todos os problemas, e então se deparara com outro de menor proporção, escrever um livro em dois meses. A maior parte da sua mina de ouro ainda se encontrava intocada, seria tão fácil quanto da primeira vez, reunir algumas memórias e mandá-las a seu editor. Passara apenas um mês reunindo mais lembranças das varias aventuras da “velha prostituta”. Mandou-as para o editor e agora queria gozar suas férias até o lançamento dentro de seis meses. Viajou, gastou a herança que Rosane lhe deixara através de suas memórias. Passeou por ruas magníficas, deliciou-se de cappuccinos nos famosos cafés da cidade luz, e no centro romântico do mundo, conheceu Adrienne. Uma francesa de olhos cor de mel, cabelos castanho longo, adoradora de belas artes, filosofia, matérias que ele adorava discutir com base nos livros que lera enquanto estava no orfanato. O pouco inglês que ele estudara tornava possível longas tardes de conversa e então finalmente conquistara uma amiga.
Precisava então voltar, pois estava próxima a data de lançamento de seu novo livro, assim que chegou enviara um convite especial detalhado em ouro à Adrienne, com uma passagem só de vinda ao Brasil. Recebera em resposta um pedido de um exemplar autografado! Estava feliz, sentia-se incrivelmente bem, como nunca se sentira antes. Na véspera do lançamento lá estava ele, no aeroporto, ansioso com um enorme buquê de rosas salmão e uma caixa de chocolates. Conseguiu impressioná-la. A ida de limusine até seu belo apartamento, onde esperava uma mesa dotada de velas, flores e o doce aroma do molho chinês do que ele mesmo preparara para o jantar. Diego via os olhos de Adrienne brilharem, se deliciava com a idéia de agradá-la. A sobremesa se fazia divina, mouse de chocolate com morangos que pareciam recém terem sido colhidos, mas para ele nada foi mais doce que o beijo que ela lhe dera antes de se retirar ao quarto que a esperava.
Uma incrível cerimônia fora preparada para o lançamento de seu novo livro, o glamour pairava naquele ambiente incrível de paredes envelhecidas detalhadas em madeira e prata. Luzes brilhavam, o aroma doce do champagne as conversas e os risos paralelos enchiam o ambiente de alegria e de um charme intocável. Se faziam presentes inúmeras celebridades da literatura local, autores de televisão jornalistas fotógrafos e principalmente Adrienne. Estava completamente apaixonado já não ligava para nada nem mesmo para os olhares deselegantes que recebia de alguns dos escritores que se faziam presentes, olhares estes de reprovação e mesmo repudio. Não estava ligando para mais nada naquele dia, Adrienne era a culpada de sua desatenção com os convidados e com a imprensa, apenas cumprira a ordem de dar alguns autógrafos, e ao terminar abandonara tudo e sumira com Adrienne.
As noticias sobre Diego na semana seguinte foram as mais bombásticas possíveis. Seu livro tinha recebido as piores críticas possíveis o estouro nas vendas parou ainda na primeira semana, sua obra estava sendo chamada de “reprise”. Mesmo com todas as críticas a notícia mais bombástica era ainda a chamada para seu casamento com a bela francesa que lhe roubara o coração. Dentro de dois meses no dia de natal faria a aliança com a magnífica mulher. Recebera pouco dinheiro da venda de seu livro dessa vez e seu contrato fora modificado. As críticas não agradaram em nada a editora, que agora não mais queria as histórias da velha prostituta, mas queria outro livro uma coisa inovadora, empolgante, e principalmente rentável. O estouro que foi seu primeiro livro tinha lhe dado uma segurança financeira que não se precisava se preocupar com renda durante o resto de sua vida e logo, não mediu esforços para sua festa de casamento. Tudo do melhor era o que havia preparado champagne francês, caviar, canapés dignos do jantar de um Deus.
Adrienne assim como ele não tinha família a não ser alguns amigos que deixara na França e ele as freiras que o criaram. Porem ele convidara todos os membros da nobre sociedade para a maior festa do ano, era o que diziam todos os jornais do país. Na catedral se encontravam todos os convidados, do lado de fora a população menos favorecida assistia deslumbrada a festa de casamento do casal. Uma grande produção fora montada com telões, luzes e flores. Tudo estava perfeito quando entrou na igreja. Seu fraque branco reluzia em meio a todos os presentes, a freira que o acompanhava até o altar sorria incansavelmente. A marcha nupcial inicia e todos se levantam para esperar a noiva que nunca apareceu.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sem fim

As lagrimas na minha face secaram
Não exitem mais dores,
Pois não exitem, como antes, sentimentos,
não existe mais o coração.

O que resta é a força,
De uma batalha incansável pela vida,
Que queima o peito, e das cinzas renasce
Como uma fênix, o sentimento.

Da minha morte nada resta,
Mesmo os sentimentos de outrora
Na morte permanecem.

A vida se refaz e recomeça
Longa dádiva brilhante,
Da morte resta a lembrança, opaca...